O que é
Incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Estudos estimam que entre 25% e 45% das mulheres passam por isso em algum momento da vida, e a maioria demora anos para procurar ajuda porque acha que é normal. Não é, e tem tratamento, conservador ou cirúrgico, conforme o tipo e a gravidade.
Os três tipos principais
De esforço
Perda ao tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso, por enfraquecimento do suporte da uretra e do assoalho pélvico. Mais comum após partos e na menopausa. É o tipo com maior chance de cura.
De urgência
Vontade súbita e difícil de controlar, com perda antes de chegar ao banheiro, muitas vezes com aumento da frequência urinária, inclusive à noite. Ligada à bexiga hiperativa.
Mista
Sintomas de esforço e de urgência no mesmo quadro. É a forma mais comum após os 50 anos e exige tratamento combinado.
Fatores de risco
- Partos vaginais, principalmente com fórceps ou lacerações.
- Menopausa, pela queda do estrogênio.
- Obesidade e constipação crônica.
- Tabagismo e tosse crônica.
- Cirurgias pélvicas prévias.
Como é feito o diagnóstico
- 1
Consulta detalhada
Padrão da perda, situações que a provocam, histórico obstétrico e impacto na vida diária.
- 2
Diário miccional
Registro de três dias com horários, volumes e episódios de perda.
- 3
Exame ginecológico
Avaliação do assoalho pélvico, de prolapsos associados e teste de esforço.
- 4
Exame de urina
Afasta infecção urinária antes de qualquer tratamento.
- 5
Ultrassonografia
Anatomia pélvica e resíduo de urina após a micção.
- 6
Estudo urodinâmico
Mede pressões da bexiga e da uretra. Indicado antes de cirurgia ou quando há dúvida sobre o tipo.
Tratamento conservador: sempre o primeiro passo
Fisioterapia pélvica
Primeira linha para todos os tipos. Exercícios supervisionados, biofeedback e eletroestimulação. Boa parte das mulheres com incontinência leve a moderada melhora com adesão regular.
Mudança de hábitos
Treinamento vesical, redução de cafeína, álcool e bebidas gaseificadas, controle do peso e da constipação, evitar urinar por precaução.
Medicamentos
Para urgência: anticolinérgicos ou mirabegrona. Na menopausa, estrogênio vaginal melhora o trofismo da uretra. A duloxetina pode ser usada em casos selecionados de esforço.
Laser de CO2
Pode ser considerado em incontinência de esforço leve, como complemento da fisioterapia. A evidência ainda é limitada e o laser não substitui o tratamento de primeira linha.
Tratamento cirúrgico
Indicado na incontinência de esforço moderada a grave sem resposta ao tratamento conservador, ou quando a mulher, bem informada, opta por uma solução definitiva.
Sling suburetral
Fita de sustentação colocada sob a uretra média, por via vaginal, em ambiente hospitalar. Cirurgia de 30 a 40 minutos, com raquianestesia ou anestesia local com sedação. Pode ser associada a outras cirurgias pélvicas. Nos estudos de longo prazo, mais de 80% das mulheres mantêm cura ou melhora importante após 10 anos.
Outras opções
Colpossuspensão de Burch (por via aberta ou laparoscópica) e esfíncter urinário artificial, reservados a casos específicos.
Cuidados após o sling
- Abstinência sexual por 4 a 6 semanas.
- Sem esforço físico intenso nas primeiras 3 semanas.
- Retorno em 1 semana e em 4 a 6 semanas.
- Febre, dor intensa ou dificuldade para urinar: procure atendimento.
Perguntas frequentes
É normal perder urina na gravidez ou após o parto?
É comum, mas não deve ser aceito como normal. A fisioterapia pélvica no pós-parto ajuda e deve começar cedo.
A incontinência piora na menopausa?
Pode piorar, pela queda do estrogênio. O estrogênio vaginal em creme costuma ajudar.
O laser substitui a fisioterapia?
Não. A fisioterapia continua sendo a primeira linha.
O sling é definitivo?
Na maioria das mulheres o resultado se mantém no longo prazo, mas nenhuma cirurgia garante cura em todos os casos.
Quando devo procurar a médica?
Sempre que houver perda de urina recorrente, em qualquer volume. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples o tratamento.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica e não garante resultados; cada caso é avaliado individualmente. Dra. Harusy Ribeiro Bastos, CRM-GO 17.232.