O que é
É a retirada do útero inteiramente pelo canal vaginal, sem incisão no abdome, em mulheres que não têm prolapso. Mesmo sem o útero descido, a via vaginal é possível em mãos treinadas e costuma trazer menos sangramento, menos dor e recuperação mais rápida do que a via abdominal. No mesmo ato podem ser feitas a colporrafia anterior e posterior (perineoplastia), a correção de cistocele e, se houver perda urinária de esforço, o sling.
Quando é indicada
Miomas
Miomas com sangramento intenso ou dor pélvica que não responderam ao tratamento clínico.
Adenomiose
Sangramento e cólica progressiva sem resposta ao DIU hormonal e aos medicamentos.
Sangramento uterino anormal
Quando o tratamento clínico falhou e a mulher não deseja mais engravidar.
Hiperplasia endometrial
Em casos selecionados, conforme o resultado da biópsia.
Cistocele e frouxidão vaginal
Abaulamento da bexiga e afrouxamento das paredes vaginais, corrigidos no mesmo tempo cirúrgico.
Incontinência urinária de esforço
Perda de urina ao tossir, espirrar ou agachar, tratada com sling quando confirmada.
Os procedimentos que podem ser combinados
Histerectomia vaginal
Técnica de Heaney modificada, com sistema de selamento de vasos. Pode ser total (útero e colo). Os ovários são preservados quando saudáveis.
Colporrafia anterior
Reforço da fáscia que sustenta a bexiga e correção da parede vaginal da frente.
Colporrafia posterior
Reconstrução da parede de trás, aproximação dos músculos elevadores do ânus e do corpo perineal.
Sling suburetral
Fita de sustentação sob a uretra média, colocada pelo mesmo acesso, apenas quando há incontinência de esforço confirmada no pré-operatório.
Como é o dia da cirurgia
- 1
Internação e anestesia
Internação no dia. Raquianestesia como padrão, sem anestesia geral na maioria dos casos.
- 2
Histerectomia
Incisão ao redor do colo, liberação dos ligamentos, ligadura dos vasos e retirada do útero pela vagina.
- 3
Colporrafia anterior e sling
Correção da parede da frente e, quando indicado, colocação da fita suburetral.
- 4
Colporrafia posterior
Reconstrução da parede de trás e do períneo.
- 5
Alta
Internação de cerca de 24 horas. Duração da cirurgia: 90 a 120 minutos.
Recuperação
1ª e 2ª semanas
- Repouso relativo em casa.
- Sem esforço, agachamento ou relação sexual.
- Sonda vesical retirada conforme orientação.
3ª e 4ª semanas
- Atividades leves e domésticas.
- Consulta de retorno.
4ª a 6ª semana
- Liberação gradual para atividade física e vida sexual.
2º e 3º meses
- Cicatrização completa.
Sinais de alerta: febre acima de 38 °C, sangramento vaginal intenso, dor crescente, dificuldade importante para urinar ou corrimento com odor. Entre em contato com o consultório.
Perguntas frequentes
Por que fazer tudo em uma cirurgia?
Resolver mais de um problema no mesmo ato evita nova anestesia e nova recuperação no futuro, quando a indicação de cada procedimento está bem definida.
Vou perder a fertilidade?
Sim. Sem útero não há menstruação nem gestação. A cirurgia é indicada apenas para quem não deseja mais engravidar.
Vou entrar na menopausa?
Não, se os ovários forem preservados. Apenas a retirada dos ovários provoca menopausa cirúrgica.
A recuperação é longa?
Menor do que na histerectomia abdominal: atividades leves em 2 a 3 semanas e recuperação completa em torno de 6 a 8 semanas.
Terei cicatriz?
Não há cicatriz visível, porque não há corte no abdome.
Quando posso retomar a vida sexual?
Em geral entre 4 e 6 semanas, após liberação na consulta de retorno.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica e não garante resultados; cada caso é avaliado individualmente. Dra. Harusy Ribeiro Bastos, CRM-GO 17.232.